Apesar das dificuldades do acesso ao crédito, as micro e pequenas empresas brasileiras já apresentam alguns sinais de recuperação da crise causada pelo novo coronavírus. Pesquisa divulgada pelo Sebrae nesta terça-feira (14/07) explica que cerca de 800 mil negócios conseguiram se adaptar ao novo normal e voltar a funcionar, estancando a perda de faturamento sentida no início da quarentena.

Segundo o Sebrae, 59% das micro e pequenas empresas brasileiras interromperam temporariamente suas atividades devido às medidas de distanciamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus, entre março e abril. Porém, no início deste mês, só 29% dos pequenos negócios continuavam fechados por conta da pandemia. “O levantamento mostrou que 30% das empresas voltaram a funcionar desde o início da crise, adaptando-se ao novo cenário, intensificando a transformação digital dos negócios com o aumento das vendas online”, destacou o Sebrae.

O estudo explica que “em dois meses, 12% das empresas fizeram a adaptação do modelo de negócio para o formato digital”. Por isso, subiu de 37% para 44% o percentual de pequenos negócios que usam ferramentas digitais. E caiu de 39% para 23% o total de empresas que afirmam só funcionar presencialmente. Também contribuiu com a retomada parcial dessas atividades, contudo, a flexibilização das medidas de distanciamento social, que caíram de 63% para 54% Brasil afora em junho, segundo o Sebrae.

Faturamento

Com isso, também diminuiu consideravelmente o número de micro e pequenas empresas que sofrem com queda de faturamento devido à pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Sebrae, entre março e o fim de junho, caiu de 89% para 84% a proporção de pequenos negócios que enfrentam esse problema. Isso significa que 800 mil empresas já conseguiram recuperar seus faturamentos do pré-coronavírus.

“O estancamento na queda de faturamento sinaliza um tímido movimento de recuperação. Mas ainda estamos longe de vencer a crise”, comentou o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Ele lembrou, contudo, que essa recuperação não é igual entre os diferentes setores econômicos. Segundo o Sebrae, setores como agronegócio, indústria alimentícia e pet shop/veterinária apresentam maior capacidade de retomada. Os serviços empresariais e o comércio varejista também sofreram quedas menos bruscas de faturamento. Porém, setores como turismo, economia criativa e academias continuam sendo duramente impactados pelas medidas de distanciamento social e pelo medo da população de voltar a viajar ou a frequentar locais fechados. Por conta disso, nesses setores, a queda do faturamento chega a 70%.

Por conta disso, destacou Melles, ainda é preciso aperfeiçoar os programas de crédito que tentam socorrer os pequenos negócios na pandemia. De acordo com o Sebrae, 46% dos pequenos negócios já buscaram crédito nos bancos desde o início da quarentena. Porém, mesmo com medidas emergenciais como o Pronampe, a taxa de aprovação desses empréstimos avançou só de 16% para 18%. “Sem o destravamento do dinheiro disponível nos bancos, essa retomada será extremamente lenta ou até fatal para os pequenos negócios, pois a reabertura implica em gastos e não necessariamente em demanda de clientes”, alertou o presidente do Sebrae.

Fonte: Correio Braziliense

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